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- A inteligência artificial é realmente inteligente? Para responder a essa pergunta, talvez seja necessário primeiro abandonar a inteligência humana como medida de todas as formas possíveis de inteligência.
No episódio 251 do Filosofia Pop, Marcos Carvalho Lopes conversa com Lúcia Santaella, referência brasileira nos estudos de semiótica, comunicação e cultura digital. A partir da semiótica filosófica de Charles Sanders Peirce, Santaella questiona algumas das afirmações mais recorrentes sobre a inteligência artificial e propõe ampliar nossa compreensão de pensamento, cognição e linguagem para além do antropocentrismo.
A conversa passa pela ideia do computador como máquina semiótica, pelas diferenças entre inteligência, consciência e sentimento, pelo problema da antropomorfização das IAs e pelo papel da abdução no pensamento humano. Santaella também discute os vieses presentes nos sistemas de inteligência artificial, a responsabilidade humana por seus usos e a transformação que essas tecnologias impõem à educação.
Diante da IA, sua proposta é cultivar duas disposições complementares: a arte do cuidado e a arte da suspeita. Em vez de simplesmente recusar as novas tecnologias ou atribuir-lhes capacidades humanas que elas não possuem, é preciso aprender a utilizá-las criticamente, compreender seus limites e assumir responsabilidade pelas formas como são incorporadas à vida social.
Resumo
Neste episódio do Filosofia Pop, Lúcia Santaella discute as relações entre inteligência artificial e semiótica a partir, sobretudo, da filosofia de Charles Sanders Peirce. A conversa problematiza a definição de inteligência e critica a tendência de tomar a cognição humana como seu único paradigma. Santaella distingue inteligência de consciência, sentimento e responsabilidade moral, caracterizando os atuais sistemas de IA como máquinas fundamentalmente linguísticas e semióticas.
O diálogo aborda ainda o conceito peirceano de abdução, as relações entre linguagem, cognição e realidade, os riscos da antropomorfização da IA, os vieses inscritos nos dados humanos e a responsabilidade dos desenvolvedores e usuários. Também são discutidos os impactos das tecnologias digitais sobre a educação e a necessidade de formação crítica para professores e estudantes. Para Santaella, a utilização da inteligência artificial exige simultaneamente uma arte do cuidado e uma arte da suspeita, capazes de combinar abertura às possibilidades tecnológicas com avaliação crítica de seus resultados.
Palavras-chave
Inteligência artificial; Semiótica; Charles Sanders Peirce; Lúcia Santaella; Cognição; Linguagem; Abdução; Antropocentrismo; Educação; Ética; Filosofia da tecnologia; Inteligência; Pragmatismo.
Indicações do episódio
Indicações de Marcos Carvalho Lopes
Ian McEwan — Máquinas como eu
Romance indicado como uma possibilidade de reflexão literária sobre inteligência artificial, máquinas e humanidade.
“O sertão semiótico de Tom Zé” — Marcos Carvalho Lopes
Texto mencionado na conversa a propósito das relações entre Tom Zé, semiótica, Peirce, Tropicália e a experiência cultural do Recôncavo baiano.
Indicações de Lúcia Santaella
Tatiana Roque — A máquina em nós
Santaella destaca o livro como uma leitura breve e acessível, mas intelectualmente cuidadosa, sobre as transformações tecnológicas contemporâneas.
Yuk Hui — obra sobre arte e cosmotécnica
Santaella menciona uma obra que aparece na transcrição como “Arte Cosmo técnica”, observando que ainda não estaria traduzida para o português. A transcrição não permite estabelecer com segurança a grafia exata do título.
Yuk Hui — Tecnodiversidade
Mencionado em conexão com a ideia de cosmotécnica e com a necessidade de pensar formas plurais de relação entre tecnologia, cultura e mundo.
Isabelle Stengers — cosmopolítica
Aparece como referência para a defesa de uma perspectiva cosmopolítica capaz de ultrapassar formas antropocêntricas e fechadas de pensar a tecnologia e a vida planetária.
O Filosofia Pop é um podcast que aborda a filosofia como parte da cultura. A cada 15 dias, sempre às segundas-feiras, a gente vai estar aqui pra continuar essa conversa com vocês. Intercalando com nossos episódios normais de quando em quando vamos apresentar episódios de entrevistas temáticas especiais. O episódio de hoje que é uma parceria com o projeto de extensão Filosofia, Cultura popular e Ética, desenvolvido na Universidade Federal de Jataí.
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O post #251 – IA e Semiótica, com Lúcia Santaella apareceu primeiro em filosofia pop. - No episódio número 250 do Podcast Filosofia Pop, conversamos com o filósofo Claudio Ferreira Costa sobre autismo e filosofia.
Cláudio Ferreira Costa construiu sua trajetória acadêmica no Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), desenvolvendo pesquisas principalmente no campo da filosofia analítica contemporânea, com trabalhos em áreas como filosofia da linguagem, filosofia da mente e metafísica analítica.
Realizou seu mestrado em Filosofia no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS), no Rio de Janeiro, e seu doutorado na Universität Konstanz, na Alemanha. Sua formação inclui ainda períodos de pós-doutorado na Hochschule für Philosophie, em Munique, na University of California, Berkeley, na University of Oxford e novamente na Universität Konstanz.
Nesta conversa, partimos de seu texto sobre Síndrome de Asperger e filosofia para discutir sua experiência pessoal com o autismo, o diagnóstico tardio e questões relacionadas à linguagem, empatia, sociabilidade e vida acadêmica. O diálogo também passa pelas possíveis relações entre determinadas características do espectro autista e o trabalho filosófico, pelos limites das tentativas de diagnosticar filósofos do passado e pela própria maneira como Cláudio Costa compreende a atividade filosófica.
Texto Sindrome de Aperger e Filosofia de Claudio F. Costa
Site de Claudio Ferreira Costa
Textos de Claudio Costa no Academia.edu
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O post #250 – Autismo e Filosofia, com Claudio Costa apareceu primeiro em filosofia pop. - No episódio 249 do podcast Filosofia Pop, Marcos Carvalho Lopes conversa com Hans Ulrich “Sepp” Gumbrecht sobre futebol.
Professor emérito de Literatura Comparada, Francês e Italiano da Universidade Stanford, Gumbrecht desenvolveu uma obra que atravessa a teoria literária, a filosofia, a estética e a reflexão sobre os esportes. Uma de suas preocupações centrais é compreender experiências que não podem ser inteiramente reduzidas à interpretação ou à procura de significados: a presença dos corpos, a intensidade dos acontecimentos, a atmosfera dos espaços e o aparecimento inesperado de formas.
Essas questões encontram no futebol um campo privilegiado. Uma partida não nos afeta apenas pelo resultado ou pelas histórias que contamos sobre ela. Também somos atingidos pela velocidade de uma jogada, pela abertura repentina de um espaço, pela coordenação dos movimentos, pelo confronto entre os corpos e pela atmosfera produzida dentro de um estádio.
Esta não é a primeira participação de Hans Ulrich Gumbrecht no Filosofia Pop.
Em 2021, ele esteve presente em dois episódios do podcast. No episódio #116 – Vale do Silício, publicado em 22 de fevereiro daquele ano, conversamos sobre as transformações culturais e tecnológicas associadas ao Vale do Silício, partindo de seu livro O espírito do mundo no Vale do Silício: viver e pensar o futuro.
No episódio #117 – Humanidades etc., publicado em 1º de março de 2021, continuamos a conversa tratando das Humanidades, da universidade, do ambiente acadêmico brasileiro e norte-americano, da obra de Luiz Costa Lima e dos projetos intelectuais de Gumbrecht. As duas conversas haviam sido gravadas nos dias 30 e 31 de dezembro de 2020.
Agora, cinco anos depois daqueles episódios, voltamos a conversar. Desta vez, tendo o futebol como ponto de partida para pensar a estética, a cultura e as formas contemporâneas de viver experiências coletivas.
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O post #249 – Futebol, com Sepp Gumbrecht apareceu primeiro em filosofia pop. - No episódio #247 do Podcast Filosofia Pop, conversamos com o professor Renan Porto sobre sua trajetória intelectual e sobre o livro Nas Brechas dos Futuros Cancelados: do Pesadelo Ciborgue à Queda do Céu. Da experiência de crescer em uma comunidade produtora de cacau no sul da Bahia às reflexões sobre cosmologias indígenas, Guimarães Rosa, justiça, ecologia e transformação social, a conversa explora caminhos para pensar o presente para além das promessas esgotadas da modernidade. Uma reflexão sobre território, memória, imaginação e as brechas pelas quais outros futuros ainda podem emergir.
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O post #248 – Cosmopoética da Justiça, com Renan Porto apareceu primeiro em filosofia pop. - Este é nosso epísódio 247, nele ecebemos o professor Philippe Cupertino para uma conversa sobre os povos ciganos, identidade, racismo, resistencia e luta por justiça .
Phillipe Cupertino Salloum e Silva é professor Adjunto de Teoria Geral do Processo e Direito Processual Civil, Coordenador do Curso de Graduação em Direito (2022-2026) e docente permanente do Mestrado em Direito da Universidade Federal de Jataí. Doutor em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde integra o grupo de pesquisa “Luta por direitos e justiça e práticas estatais: uma perspectiva etnográfica”. Mestre em Ciências Jurídicas pela Universidade Federal da Paraíba (2015). Bacharel em Direito pela Universidade Estadual de Santa Cruz (2013). Atuação em coordenação e parceria com projetos de assessoria jurídica universitária popular, com foco em povos e comunidades tradicionais. Secretário de Articulação Política do Instituto de Pesquisa, Direitos e Movimentos Sociais – IPDMS (2023-2025). Experiência com pesquisas empíricas com abordagem etnográfica intercalando Antropologia, Direitos Humanos e os estudos sobre as instituições jurídicas e o Estado.
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