2026 começou marcado por uma série de acontecimentos que colocaram a América Latina no centro de disputas culturais e políticas. Do sequestro de Maduro, passando pela apresentação de Bad Bunny no Super Bowl, até o estrangulamento ainda mais violento dos Estados Unidos em relação a Cuba, vemos como cada um desses momentos produz impactos distintos no público. A euforia, o engajamento, ou a ausência deles, oferecem pistas para pensar aquilo que chamamos de “latinidade”: qual nos querem vender e qual estamos dispostos a comprar.
Sabemos que, na velocidade dos acontecimentos, tomar os fatos mencionados acima como baliza para a conversa, já os coloca, em alguma medida, como ultrapassados. Mesmo assim, independentemente do timing ou do hype, é possível identificar uma tendência: a emergência de uma era “latin-core” no norte global, impulsionada tanto pelo esgotamento das linguagens estadunidenses e europeias quanto pela crescente circulação de produções latino-americanas. Nesse contexto, a tensão entre a latinidade como produto e a realidade histórica das produções que há muito tempo existem por aqui tende a se intensificar.
Diante disso, junto de Claudia Manzo, recuperamos parte da história de uma produção musical que se coloca de forma radical, latino-americana e anti-imperialista, das experiências atravessadas pelas ditaduras, como a nueva canción, nueva trova e afins, até os desdobramentos que chegam às produções mais recentes, como o reggaeton, a cumbia e o funk.